Uma criança de dar medo ^^

Eu acreditava que via o mundo com o olhar de criança até o dia em que conheci B.!
Na verdade, em pouco tempo, B. me fez perceber o quanto o meu lado adulto é extremamente chato, rude e impaciente. E pior! O quanto o meu lado adulto sufoca a criança que vive em mim.
Digo isso porque há duas semanas B. resolveu fazer o seu primeiro documentário, e como uma criança, ela resolveu isso DE REPENTE!!! Sabe como são as crianças! Impulsivas, determinadas, corajosas, ousadas, teimosas... Às vezes, parecem cegas e surdas! Movidas por curiosidade, donas de uma sede de conhecimento sem tamanho.
Tomei um susto! Não sou muito chegada a coisas feitas assim, sem planejamento. Mas B. estava radiante e dizia que sabia sim, de tudo que queria. Ela só não tinha anotado em um papel, mas o roteiro estava em sua cabeça. Fiquei com o pé atrás...
E daí, meu lado adulto e extremamente frio apossou-se de mim e tentou segurar a onda da “pequena B.”. Muitas vezes fui grossa, estúpida, irônica e sarcástica sem necessidade. Talvez eu tenha estendido a ela, a fase confusa que estou vivendo (essa tal “bipolaridade” que me assola). Mas acredito que tenha feito tudo isso por medo!!!
Medo da imagem que B. parece ter criado de mim. Há momentos em que ela parece achar que sou uma expert em cinema, quando na verdade, ainda tenho muito que aprender, mesmo tendo certa experiência. E já que ela deseja muito aprender, temo não corresponder às expectativas. E como B. é perguntadeiraaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!! GENTE!!! Ela pergunta demais, é avexada demais, doidinha demais, inteligente demaaaaaaaaaaaaais!!! E ISSO DÁ MUIIIIIIIIIIIIIIIIITO MEDO!!!
Medo do trabalho não ficar bom, visto que não houve tooooooooooooooooodo aquele longo processo de pré-produção que eu estava acostumada a fazer, e por isso, só perder tempo.
Medo do equipamento não dar conta do serviço. Às vezes, parece que edito em uma máquina de datilografia!!! Kkkkkkkkkkkkk
Medo de descobrir que eu não sou tão inteligente ou esperta como penso (ou pensava!).
Medo da criança agitada que é a “pequena B.” e ao mesmo tempo tão mais madura que meu lado adulto!!!
E para esconder esse medo, eu armava uma cara antipática e preparava um arsenal de palavras duras e olhares indiferentes para me defender quando julgasse estar acuada. Enfim, uma coisa completamente sem sentido, pois na verdade, tenho muita admiração por esta pessoa que durante duas semanas, a chamei de doida sem parar!!!
“No dia que a senhora não me chamar de doida é como se esse dia não existisse, né?” – foi algo assim que ela me disse um dia desses. E numa outra vez ela me calou com tom sério: “Eu não sou doida! Eu apenas prefiro ver as coisas com o olhar de uma criança!”. CARAMBA!!! PRA QUÊ QUE ELA FALOU ISSO??? Meu lado adulto tomou um choque e então me toquei que minha criança há muito tempo não tem se manifestado e nas poucas vezes em que se sobressai, é quase imperceptível, visto que absorveu tanto da frieza e racionalidade do meu lado adulto. Quando resolve fazer graça, minha criança é irônica e atrevida. Aquele tipo de pirralho odioso, que já não tem mais inocência e parece um adulto em miniatura. E B. é o contrário.
B. é aquele tipo de criança que quer descobrir o quê, o porquê e o como.
Várias vezes eu disse a B. que tinha medo dela. E até levantei suposições sobre o que ela realmente seria.
PRIMEIRO:
B. é uma anciã que de algum modo conseguiu se manter viva por muitos séculos, presa em um corpo de adolescente. Assim como o Mestre Dohko dos Cavaleiros do Zodíaco, que tem mais de duzentos anos em um corpinho de 18, visto que seu coração bate apenas uma vez por ano.
SEGUNDO (e que acho mais certo):
Quando vinha de seu planeta, ela pegou uma curva errada e veio parar no Brasil, quando na verdade deveria estar com seus conterrâneos lá na comunidade alienígena que fica nos Estados Unidos.
TERCEIRO:
Enquanto todos nós temos 5 minutos de loucura, B. tem horas...
Contei-lhe estas suposições e ela riu, porém não sei se achou ruim, pois B. é uma atriz e pode muito bem ter escondido o que sentia como o ódio que devo ter causado em vários momentos do processo de edição. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Imagino que ela tenha se segurado pra não me estrangular!!! Hauhauhauhaua
Mas B. é uma mocinha de 22 anos, dona de uma maturidade e inteligência invejável, que jamais se deixaria perder a cabeça por pequenas coisas. E espero que ela continue com seu lado criança livre e saltitante, ensinando a muita gente (como eu), que o melhor da vida é enxergá-la nos detalhes mais simples. E isso, só os olho da infância podem ver...
Para finalzar B., quero parabenizá-la pelo trabalho. Acredito que você tem futuro nesse meio também. Peço desculpas pelas indelicadezas (na verdade eu NÃO SOU indelicada, eu ESTOU indelicada ultimamente. Mas pensando bem, isso não justifica né?;P).
E tá bom já! Eu vou embora e me preparar psicologicamente para o caso da sua criança aparecer no laboratório segunda-feira, gritando: “TIA ROBERTAAAAAAAAAAAAAAAAA!!! CHEGOU O SEU ATRASO!!!!” – e eu ter que corrigir algo mais no seu vídeo... ¬¬
Na verdade, em pouco tempo, B. me fez perceber o quanto o meu lado adulto é extremamente chato, rude e impaciente. E pior! O quanto o meu lado adulto sufoca a criança que vive em mim.
Digo isso porque há duas semanas B. resolveu fazer o seu primeiro documentário, e como uma criança, ela resolveu isso DE REPENTE!!! Sabe como são as crianças! Impulsivas, determinadas, corajosas, ousadas, teimosas... Às vezes, parecem cegas e surdas! Movidas por curiosidade, donas de uma sede de conhecimento sem tamanho.
Tomei um susto! Não sou muito chegada a coisas feitas assim, sem planejamento. Mas B. estava radiante e dizia que sabia sim, de tudo que queria. Ela só não tinha anotado em um papel, mas o roteiro estava em sua cabeça. Fiquei com o pé atrás...
E daí, meu lado adulto e extremamente frio apossou-se de mim e tentou segurar a onda da “pequena B.”. Muitas vezes fui grossa, estúpida, irônica e sarcástica sem necessidade. Talvez eu tenha estendido a ela, a fase confusa que estou vivendo (essa tal “bipolaridade” que me assola). Mas acredito que tenha feito tudo isso por medo!!!
Medo da imagem que B. parece ter criado de mim. Há momentos em que ela parece achar que sou uma expert em cinema, quando na verdade, ainda tenho muito que aprender, mesmo tendo certa experiência. E já que ela deseja muito aprender, temo não corresponder às expectativas. E como B. é perguntadeiraaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!! GENTE!!! Ela pergunta demais, é avexada demais, doidinha demais, inteligente demaaaaaaaaaaaaais!!! E ISSO DÁ MUIIIIIIIIIIIIIIIIITO MEDO!!!
Medo do trabalho não ficar bom, visto que não houve tooooooooooooooooodo aquele longo processo de pré-produção que eu estava acostumada a fazer, e por isso, só perder tempo.
Medo do equipamento não dar conta do serviço. Às vezes, parece que edito em uma máquina de datilografia!!! Kkkkkkkkkkkkk
Medo de descobrir que eu não sou tão inteligente ou esperta como penso (ou pensava!).
Medo da criança agitada que é a “pequena B.” e ao mesmo tempo tão mais madura que meu lado adulto!!!
E para esconder esse medo, eu armava uma cara antipática e preparava um arsenal de palavras duras e olhares indiferentes para me defender quando julgasse estar acuada. Enfim, uma coisa completamente sem sentido, pois na verdade, tenho muita admiração por esta pessoa que durante duas semanas, a chamei de doida sem parar!!!
“No dia que a senhora não me chamar de doida é como se esse dia não existisse, né?” – foi algo assim que ela me disse um dia desses. E numa outra vez ela me calou com tom sério: “Eu não sou doida! Eu apenas prefiro ver as coisas com o olhar de uma criança!”. CARAMBA!!! PRA QUÊ QUE ELA FALOU ISSO??? Meu lado adulto tomou um choque e então me toquei que minha criança há muito tempo não tem se manifestado e nas poucas vezes em que se sobressai, é quase imperceptível, visto que absorveu tanto da frieza e racionalidade do meu lado adulto. Quando resolve fazer graça, minha criança é irônica e atrevida. Aquele tipo de pirralho odioso, que já não tem mais inocência e parece um adulto em miniatura. E B. é o contrário.
B. é aquele tipo de criança que quer descobrir o quê, o porquê e o como.
Várias vezes eu disse a B. que tinha medo dela. E até levantei suposições sobre o que ela realmente seria.
PRIMEIRO:
B. é uma anciã que de algum modo conseguiu se manter viva por muitos séculos, presa em um corpo de adolescente. Assim como o Mestre Dohko dos Cavaleiros do Zodíaco, que tem mais de duzentos anos em um corpinho de 18, visto que seu coração bate apenas uma vez por ano.
SEGUNDO (e que acho mais certo):
Quando vinha de seu planeta, ela pegou uma curva errada e veio parar no Brasil, quando na verdade deveria estar com seus conterrâneos lá na comunidade alienígena que fica nos Estados Unidos.
TERCEIRO:
Enquanto todos nós temos 5 minutos de loucura, B. tem horas...
Contei-lhe estas suposições e ela riu, porém não sei se achou ruim, pois B. é uma atriz e pode muito bem ter escondido o que sentia como o ódio que devo ter causado em vários momentos do processo de edição. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Imagino que ela tenha se segurado pra não me estrangular!!! Hauhauhauhaua
Mas B. é uma mocinha de 22 anos, dona de uma maturidade e inteligência invejável, que jamais se deixaria perder a cabeça por pequenas coisas. E espero que ela continue com seu lado criança livre e saltitante, ensinando a muita gente (como eu), que o melhor da vida é enxergá-la nos detalhes mais simples. E isso, só os olho da infância podem ver...
Para finalzar B., quero parabenizá-la pelo trabalho. Acredito que você tem futuro nesse meio também. Peço desculpas pelas indelicadezas (na verdade eu NÃO SOU indelicada, eu ESTOU indelicada ultimamente. Mas pensando bem, isso não justifica né?;P).
E tá bom já! Eu vou embora e me preparar psicologicamente para o caso da sua criança aparecer no laboratório segunda-feira, gritando: “TIA ROBERTAAAAAAAAAAAAAAAAA!!! CHEGOU O SEU ATRASO!!!!” – e eu ter que corrigir algo mais no seu vídeo... ¬¬
Quanto ao texto é lindo. Suave, preciso, simples e inteligente. Não que eu queira puxar a sardinha para meu lado...risos.
ResponderExcluirPena não ter agora tempo suficiênte para declarar exatamente como me sinto e/ou me senti ao ler essa publicação.
Mas, nada como a economia de palavras que por sinal não sou tão boa.
Nunca recebi algo assim tão sutil, delicado, e por que não dizer?! emocionante. E de maneira tão inesperada.