Onde vive o silêncio que procuro, o silêncio absoluto?

Está sendo muito difícil estudar...

Vou eu para a Biblioteca Central da UFPB, crente que este seria o lugar ideal para me concentrar nas teorias que preciso absorver em apenas dois anos.

Penso que neste lugar, encontrarei o melhor refúgio, onde estarei protegida e distanciada do som da televisão de minha sala, do barulho típico da cozinha no remexido das panelas, da atenção prestada no movimento de toda a casa, seja no vai-e-vem dos passos de meus irmãos ou nas conversas de meus pais.

Penso estar completamente livre da tentação de passar horas na internet ou de simplesmente atender ao chamado da natureza que hipnotiza-me e leva-me à cama, onde apago e me perco nos mais fantásticos sonhos.

No entanto, engano-me completamente! Numa tarde chuvosa e fria, vejo-me desiludida ao perceber que a biblioteca abriga inimigos - quase mortais - do silêncio!

Malditos servidores que andam para lá e para cá, puxando e empurrando carrinhos que parecem trazer em suas rodas o ranger dos trovões, que jogam os livros nas prateleiras como se jogassem bombas em festas juninas. Seres de preguiça plena que deixam o telefone "gritar", até que todo o prédio quase implore para que acudam o aparelho e lhe calem os gemidos. Línguas traiçoeiras como serpentes, inquietas como badalos de sinos que ecoam infinitas horas.

Olho para os lados procurando a figura da bibliotecária, tão citada em livros e filmes, na esperança de ouvir o seu "psssshhhhhh!!!" ameaçador, seguido de um "Silêncio! Isto é uma biblioteca!!!". Porém, percebo finalmente que esta funcionária tão ciente de seu papel de guardiã do sagrado silêncio, não passa de um ser inexistente - ao menos nesta biblioteca! -, imaginário, e porque não dizer, MITOLÓGICO!!!

Ouço o som de uma batida que não consigo identificar bem. Ergo a cabeça e dou de cara com um estudante, sentado um pouco mais à frente da mesa onde eu estava, batendo sua borracha no caderno em um ritmo de impaciência, como se vencido pelo desrespeito, resolvesse unir-se ao inimigo. Ou quem sabe, estivesse se preparando para estourar o olho daquele que lhe perturbava os ouvidos, usando a borracha como se esta fosse a pedra usada por Davi para derrubar Golias.

"Talvez tivesse sido melhor ter ficado em casa..." - me flagro pensando, já tomada pelo sono que fatalmente me faria abandonar os livros se estivesse em meu quarto.

Cansada, levanto-me e saio à procura de um lugar onde eu possa ouvir apenas minha respiração e o fervilhar de meus pensamentos e, enquanto caminho, compreendo que esta busca não vai dar em lugar nenhum, visto que até o "silêncio sepulcral" só existe quando já não podemos ouvir.

Comentários

  1. Oi Roberta!
    Passando por aqui rapidin, só pra favoritar o blog e linkar no meu depois! Ah, e claro, voltarei para ler os textos!
    Beijosss!

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