Página 1 depois da morte do carrasco

Porque nem tudo precisa ser feito com propósito


01 de janeiro de 2026...

Página em branco de um novo capítulo desse grande livro chamado vida. E considerando que cada um tem seu próprio enredo para desenvolver, desejo a todos que protagonizem lindos trechos de um maravilhoso texto de 365 páginas. Pelo menos eu, enquanto autora de meu próprio destino (pensando naquilo que tenho controle, claro né!), tentarei escrever versos bonitos ao longo dessa nova fase de minha jornada. 😁 Estou falando sobre vida, história e livro porque agorinha mesmo eu tava atualizando o meu perfil no Goodreads. Sim! Descobri a plataforma mês passado e resolvi experimentar. Ainda não me acostumei porque sinto falta de algumas coisinhas existentes no Skoob, mas como este tem me tirado do sério com umas travadas e erros que dificultam as atualizações de leituras, achei melhor experimentar algo mais simples. 


Ultimamente tenho sentido muita falta dos meus hábitos de adolescência e início da juventude, quando eu não me cobrava tanto nem achava que tudo que eu fazia sem propósito era perda de tempo.  Sinto falta de quando eu lia pelo simples prazer de ler e por, durante a leitura, me imaginar escrevendo livros também. Eu gostava muito de ler, muito mesmo. Lia (e relia) de tudo, sem preconceito! Então veio o Mestrado em Letras e minha visão turvou... Mais do que me tornar uma "preconceituosa literária", eu me tornei minha própria carrasca! Eu não me permitia mais ler qualquer coisa que não fizesse parte da bibliografia de minha pesquisa. Aristóteles e Horácio praticamente se tornaram meus amigos imaginários, e todo meu repertório literário girava em torno da Poética; teatro trágico; mitologia grega; drama moderno; jornada do herói; teoria e história do teatro e do cinema. Qualquer leitura fora disso era impensável para mim, porque se eu me atrevesse a experimentar qualquer tipo de texto mais leve, seria uma total perda de tempo! E tempo era algo que eu tinha muito pouco mesmo naquela época, pois além das aulas do mestrado, eu estava no último ano da graduação em Jornalismo, era bolsista em um laboratório de produção de material institucional da universidade onde eu estudava e ainda trabalhava à noite em uma faculdade privada. Logo, qualquer prática de relaxamento nos intervalos entre essas atividades era realmente uma irresponsabilidade. Foi daí que eu acabei com os meus hobbies. 😞


Desse tempo em diante, mesmo depois do mestrado, tudo que eu viesse a fazer tinha que ter um propósito! Fazer crochê só por fazer? NUNCA!!!! Tem que render algum trocado sim, nem que seja pra comprar uma bolsa. Aprender a costurar pra quê? Só por curiosidade? NANANINANÃO! Vai ter que fazer nem que seja umas almofadinhas para vender. Onde já se viu, gastar dinheiro comprando material para não ter lucro depois. JAMAIS, MINHA FILHA!!! E o pior é que essa cobrança toda era só MINHA. Não era de mais ninguém. O resultado disso foi que acabei desenvolvendo uma frustração por ter muitas habilidades que "não me rendiam nada"! COMO ASSIM?!😱 Vivi nessa pisadinha por mais de uma década até que recentemente me cansei e resolvi matar o carrasco cruel que vivia na minha cabeça. Percebi que eu não preciso ter retorno nem reconhecimento de tudo. Que eu posso sim me perder no meio de linhas e agulhas só por querer passar horas esquecida do mundo ao redor. Tudo bem se eu não terminar peça nenhuma, afinal, não há necessidade de provar nem entregar nada para ninguém. Eu posso querer crochetar uma peça qualquer apenas com o intuito de desmanchá-la depois (é bom demais desmanchar crochê. Já experimentaram? 😊).


"E a leitura, Robis?" - então! Depois do mestrado, pelo excesso de estudos, eu me tornei muito preguiçosa para ler. Ao longo desse tempo, tive muitas leituras abandonadas, sem falar nos vários livros que comprei e até hoje estão esquecidos em minha estantes, esperando meu olhar. Confesso que parte desse meu afastamento dos livros se deu também por conta do vício nas redes sociais. Mas, como há algumas semanas dei uma afastada, principalmente do Instagram, a vontade de ler voltou com muita força e agora me sinto muito disposta a retornar ao hábito que, por muito tempo, foi alimento para meus sonhos de menina e base de minha formação profissional. 


P.S.: eu acredito que este texto esteja mal escrito e não vou me culpar nem me envergonhar por isso. Escrever bem é resultado de leitura frequente também e, como eu já confessei, andei em falta com as leituras por muito, muito tempo. Certamente, estarei melhor ao fim da página 365 deste capítulo. 😌

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